Mata da Machada

Um Forno Cerâmico

Na Mata Nacional da Machada, freguesia de Palhais, realizou-se em 1981 a primeira intervenção arqueológica no Concelho do Barreiro dirigida cientificamente por Cláudio Torres.

No ano anterior um Santoantoniense alertou para a existência na Mata de vestígios que indiciavam um centro produtor oleiro.

As escavações que se estenderam a uma área com cerca de 1000 m2 puseram a descoberto um forno cerâmico dos sécs. XV/XVI, «(…) cujas paredes se levantam ainda a um metro e meio da grelha, um espaço aproximadamente quadrangular, com os suportes longitudinais mais poderosos e com uma leve curvatura de arranque, sugerindo uma cobertura em abóbada de berço. A porta de acesso a este espaço abre-se a NW. A câmara de enfornamento rondaria os 20 m3.» Cláudio Torres, s.d..

Beneficiando da proximidade com o rio Coina, permitindo assim um escoamento rápido das produções, e de recursos naturais, como a argila e lenha, a olaria da Mata da Machada produziu utensílios de uso doméstico e de carácter industrial.

Das produções referentes ao quotidiano doméstico foram exumadas, entre outras as seguintes tipologias de cerâmica vidrada e por vidrar: malgas, pratos, candeias, tigelas, copos, escudelas e talhas. A par destas foram produzidas peças de uso “industrial” como: pesos de rede, telhas; formas de biscoito, para o Complexo de Vale de Zebro e formas de pão de açúcar, destinadas à exportação para os engenhos açucareiros insulares.

Forno cerâmico da Mata da Machada


 
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